A Catedral, explicada
As 14 Estações da Via Sacra, e como a Catedral foi esculpida
Os mineiros escavaram aqui uma capela de oração em 1932 por hábito, não por ambição. O que existe agora — catorze capelas, três naves, uma enorme cruz — nasceu daí em duas construções muito diferentes, com seis décadas de intervalo.
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| Primeira catedral | Catedral atual | |
|---|---|---|
| Construída | 1950–1954 | 1991–1995 |
| Inaugurada | 15 de agosto de 1954 | 16 de dezembro de 1995 |
| Encerrada | Setembro de 1992 (segurança) | Ainda aberta |
| Escala | 120 m de comprimento, 22 m de altura | Só a galeria de entrada: 386 m |
Uma capela de oração antes de uma catedral
Por volta de 1932, os mineiros que trabalhavam neste nível do depósito escavaram um pequeno santuário só para si — um lugar onde rezavam por proteção antes de cada turno, não uma atração turística nem um projeto arquitetónico planeado. É nesse instinto, mais do que em qualquer grande desígnio, que a história da Catedral realmente começa: uma população trabalhadora a esculpir um lugar de culto na mesma rocha de que tirava o seu sustento.
A primeira catedral, e por que encerrou
A construção de uma igreja muito maior começou em 1950 e abriu a 15 de agosto de 1954, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos mineiros — um edifício com cerca de 120 metros de comprimento e 22 metros de altura, com capacidade declarada para até 8.000 pessoas, uma escala extraordinária para uma estrutura esculpida em vez de construída. Por se encontrar dentro de uma mina ativa, problemas estruturais e preocupações de segurança acabaram por forçar o seu encerramento em setembro de 1992, após quase quatro décadas aberta a fiéis e visitantes.
Uma segunda catedral, construída mais fundo e de forma diferente
Em vez de reparar a original, uma nova catedral foi projetada e esculpida entre 1991 e 1995 pelo arquiteto bogotano Roswell Garavito Pearl, que venceu um concurso convocado pela Sociedade Colombiana de Arquitetos em 1990, tendo aberto a 16 de dezembro de 1995 — o edifício que os visitantes percorrem hoje. Situa-se num nível diferente e mais estável da mina, ligado à superfície pela galeria de entrada de 386 metros que agora acolhe as catorze Estações da Cruz.
As 14 Estações, estação por estação
As catorze capelas da galeria seguem a sequência padrão da Via Crucis católica romana — a condenação de Cristo, o carregar da cruz, três quedas distintas, o encontro com sua mãe, a ajuda de Simão de Cirene, o véu de Verónica, as mulheres de Jerusalém, o despojamento das suas vestes, a própria crucificação, a sua morte e, por fim, o seu corpo descido e depositado no túmulo. Cada uma é esculpida em relevo diretamente na parede de sal, iluminada a partir de baixo em vez de pintada ou dourada, de modo que é a própria textura da rocha que faz a maior parte do trabalho visual.
Três naves, quatro colunas
Passada a décima quarta estação, a galeria abre-se em três naves interligadas, comummente interpretadas como representando o nascimento, a vida e a morte, unidas sob quatro colunas cilíndricas esculpidas para representar os Quatro Evangelistas. As naves não têm, no local, sinalização individual com nomes elaborados — o seu significado é transmitido pela posição e pela sequência do percurso, e não por uma placa que explique cada uma por sua vez.
A cruz que encerra o percurso
Na extremidade oposta ergue-se a grande cruz da Catedral, iluminada em vez de dourada ou pintada — o projeto de iluminação é deliberado e não acidental, e é a imagem com que a maioria dos visitantes fica. Fontes colombianas situam habitualmente a cruz em cerca de 16 metros de altura e 10 metros de largura, entre as maiores cruzes esculpidas no subsolo em todo o mundo; uma alegação mais ambiciosa («a maior do mundo») aparece em alguns textos promocionais, mas não está confirmada de forma independente aqui, pelo que é omitida em vez de repetida como facto.
Ainda uma mina ativa, não uma peça de museu
Ao contrário de um museu construído de propósito para os visitantes, a Catedral de Sal situa-se dentro de uma mina onde se extrai sal há séculos e que, em partes, ainda hoje está em atividade. É precisamente essa história de laboração que explica o aspeto da galeria e das câmaras — escavadas primeiro para extração e só depois moldadas em lugar de culto e, mais tarde, em atração turística, com as marcas das ferramentas de mineração ainda visíveis em vários pontos, em vez de alisadas.
Porque é que o valor da profundidade varia
Verá a profundidade desta catedral indicada tanto como 180 como 200 metros, dependendo da fonte — a Wikipedia indica cerca de 200 metros, enquanto a própria listagem de visitas do operador e a maioria dos sites de turismo colombianos arredondam para 180. Ambas descrevem a mesma estrutura; nenhum dos valores está errado, apenas arredondado de forma diferente ou medido a partir de um ponto de referência ligeiramente distinto, e este guia utiliza ao longo do texto o valor mais profundo, proveniente da Wikipedia, por uma questão de coerência, assinalando aqui o número mais comummente citado em vez de escolher um deles em silêncio.